domingo, 11 de agosto de 2013

Deriva e Flâneur

O andar sem rumo

"Uma pessoa que se entrega à deriva renuncia às razões de se deslocar e agir que conhece para se deixar levar pelas solicitações do terreno e dos encontros que lhe correspondem"


A teoria da deriva de Guy Lebord baseia-se em conhecer a cidade ao caminhar sem direção ou sem rumo pré-definido, em uma passagem rápida porém detalhista por variadas ambiências, sendo levado a criar situações diferentes daquelas já consideradas rotineiras. O papel do homem passa de apenas habitante da cidade para um observador crítico do que há à sua volta. 
Nesta teoria, o espaço urbano é considerado como um espaço a ser explorado, descoberto, onde seu mapa seria feito a posteriori, por isto se distanciando completamente do significado de viagem ou passeioSeria preciso deixar-se levar pelos inúmeros caminhos de um labirinto para então desembaralhá-lo e assim poder denominá-lo como cidade.
Trata-se de um olhar mais subjetivo do homem sobre tudo o que o cerca, ao optar por ambientes diferentes dos quais seu olhar apenas vê, mas não enxerga.


Caminhar, observar, imaginar

Diferente da deriva, o Flâneur, desenvolvido pelo francês Charles Baudelaire, é o caminhar lento e minimalista, onde o que importa é a atenção voltada para os detalhes e peculiaridades. Importa-se primordialmente com a qualidade do que é visto, independente de um percurso ou caminho previamente estabelecido. 
Nas palavras de Baudelaire, Flâneur:
''É uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la"
É ouvir as histórias que as ruas e seus andarilhos têm a contar, abrir-se ao desconhecido de forma a desvendá-lo. Apegar-se à arte que emana das enérgicas ruas em que passa. Imaginar-se do outro lado da rua, sendo alguém além de você, com memórias além das suas. É perder-se na cidade para conhecê-la profundamente.




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